Artigo nº 020 - teórico

Bicho de sete cabeças


09/04/17 - A Hidra de Sete Cabeças, monstro imperial, está ferida mortalmente e num grito midiático e exasperado de dor sacode seu caudal em violento desespero. Atingido por várias lanças de dignidade sai a despejar dinheiro (dólar decadente) e rugidos agônicos (do pseudo-jornalismo), corrompendo governos eleitos e com isso subvertendo e minando até mesmo a democracia que jurava defender e resguardar. Desarvorada, já não respeita os processos eleitorais onde os povos aprenderam a identificar e a evitar seus representantes sem escrúpulos.

A cada eleição que acontece no mundo, o bicho de sete cabeças segue investindo na negociação e compra de votos de eleitores incautos e carentes de tudo. Quando não consegue obter o poder desejado via urnas, compra desempregados, fanáticos religiosos e trabalhadores terceirizados para promover arruaças direitistas nas ruas (como acontece neste instante na Venezuela!) e, assim, promover golpes suaves ou revoluções coloridas mundo afora.

Em sua agonizante batida de rabo, aqui e acolá, o império segue a financiar mercenários por todo o mundo: paramilitares na Colômbia, Al Qaeda no Afeganistão, Irmãos Muçulmanos (na primavera árabe), Frente Al Nusra (braço da Al Qaeda na Síria) e Estado Islâmico (no Iraque, na Síria, na África e na Europa). Para formar suas tropas, o Estado Islâmico não faz grande esforço. Usa do fanatismo jihadista (que se impõe pela lei da espada), aproveita-se da ausência do Estado em diversas áreas do globo (graças à política neoliberal) e faz uso do desemprego estrutural para arregimentar tropas em todo o mundo pobre e apodrecido pelo capital (que assim tem combatido o desemprego!).

O Estado Islâmico é tão vil quanto o seu criador (os Estados Unidos e CIA), que tem se esforçado em não sujar suas próprias mãos de sangue. Lutam contra o governo sírio de Bashar Al Assad uma série de mercenários provenientes da Turquia, da Arábia Saudita, do Paquistão, do Marrocos, do Egito, da Colômbia, da Chechênia, do Sudão e de tantas outras regiões do planeta onde a miséria, a alienação ilusionista e o jihadismo (a miséria ideológica) impõe sua força.

Por todos os cantos da Europa atentados orquestrados sacodem as sociais-democracias agora tornadas inseguras: na França, na Inglaterra, na Bélgica, na Itália, na Grécia, na Alemanha, na Suécia, na Noruega e na Rússia. No Estados Unidos, na Indonésia ou na Turquia, atentados servem de justificativas para a militarização da sociedade, o sequestro de antigos direitos sociais e trabalhistas e a imposição do fascismo e do nazismo. Os países que vivem sob o socialismo ou que trabalham no sentido de caminhar para esse sistema social mais justo são hostilizados e ameaçados de invasão, como demonstram os últimos acontecimentos contra a Venezuela Bolivariana de Chávez e Maduro, a ameaça permanente contra a Coréia do Norte, a pressão contra a China e seu sistema misto e a não-aceitação pela direita equatoriana da vitória eleitoral de Lenín Moreno (partidário de Rafael Correa), a pressão contra a Bolívia de Evo Morales, sem falar da criminosa manutenção do bloqueio a Cuba, que já se arrasta a 56 anos.

O recente ataque dos Estados Unidos à base aérea de Shayrat, em Homs, na Síria, é uma demonstração de desespero ingerencista e de imperialismo inconsequente. Na verdade, a elite ‘estadunidense’, ou seja, o poder econômico que comanda a política interna e externa daquele país, parece ignorar os perigos de uma guerra termonuclear. A elite mundial, que atua sob a roupagem estadunidense, desesperada que está pela inexorável manifestação (vigorosa) da tendência de queda da taxa de lucros (descoberta por Marx), está nervosa! Tal elite - formada pelo complexo militar e de Segurança, por Walt Street, pelo setor financeiro e pelos setores extrativistas de petróleo e minério - precisou de apenas 3 meses para dobrar o não tão radical Donald Trump! Agora de joelhos, o peruquento Trump, apesar das novas atrocidades e ameaças realizadas, deixou de ser tão hostilizado pela mídia porta-voz dessa elite criminosamente terrorista. É como se agora merecesse aplausos, após o ataque ilegal contra a Síria, onde mais uma vez se utiliza da técnica de falso positivo (uso de armas químicas?) e onde mais uma vez ignora e atropela o Conselho de Segurança das Nações Unidas, numa repetição grotesca do velho roteiro utilizado na Guerra impetrada contra o Iraque de Saddam Hussein, na época acusado injustamente de possuir armas químicas!

O mesmo mecanismo utilizado no Brasil para a derrubada da presidenta eleita Dilma Rousseff vem sendo utilizado também em outros países, onde o Poder Judiciário e o Poder Legislativo (comprados pelas grandes corporações), entrando em conluio com a mídia burguesa-corporativa, vem promovendo sucessivas mudanças de governo. A técnica consiste na criação e difusão de uma cruzada moralizadora (denuncismo anticorrupção) cujo objetivo principal é retirar da população suas faculdades políticas e sua vontade de participar no processo democrático, afinal ‘todo político é corrupto’, como quer dar a entender a mídia amante da hipocrisia, da manipulação e da generalização. Com a implantação dessa cruzada anticorrupção e antipolítica (em tese só a empresa privada teria capacidade de isenção – sic!), fica fácil ‘limpar’ (via Lava a Jato, rapidinho!) o ambiente político (antes com cheiro de povo!) deixando aberto o caminho para a ditatorial retirada de direitos trabalhistas, sociais, políticos e individuais. Num desvio brutal de atenção do que de fato é mais importante: o roubo da economia popular e o retorno à escravidão colonial (como ficou claro com a aprovação da terceirização, sancionada por MiSHELL Temer na terrificante data golpista de 31/03/17)! Assim, seguindo roteiros como esses, é que se vem PRESSionando e se derrubando governo após governo mundo afora. Vejam as notícias que comprovam as afirmações acima:

12/02/2017 - Brasil 247
Jornalistas brasileiros que investigavam caso Odebrecht são presos na Venezuela
17/02/2017 - RT
A Justiça outorgou a prisão domiciliar do filho e do irmão do presidente da Guatemala Jimmy Morales
30/03/2017 - RT
A ex-presidenta da Coréia do Sul, Park Geun-hye, é presa
03/04/2017 - RT
Analista político: Aumenta o risco de um 'impeachment' contra Donald Trump

No Brasil, a população que no início caiu no conto do vigário protestante (a corrupta bancada evangélica) e da mídia PRESStituta, para usar uma expressão cunhada pelo ex-assessor de Reagan, Paul Craig Roberts, está agora a perceber o tamanho do dolo que lhe querem imputar. A Operação Lava Jato segue lavando de positivismo a realidade brasileira: uma vez estabelecida a ordem, poderá ser imposto o novo regime de progresso capitalista que, depois de trocar Dilma por Temer, trata de trocar riqueza por pobreza, direitos por deveres, liberdade por escravidão, prosperidade por crise, soberania por dependência e democracia por ditadura. Tudo para fazer progredir o capital internacional. Justamente porque é impossível reverter a tendência decrescente da taxa de lucro, a saída burguesa é fabricar mais do mesmo: sacrificar a população pobre e parte da burguesia periférica (que, medrosa do 'bolivarianismo petista' - sic!, investiu tolamente no coxismo do MBL e da mídia, e agora vê sua prosperidade ir pelo ralo da criise)!

Resta ao povo se organizar! Que o povo deixe de pagar o pato! Que passemos a pensar com o cérebro e não com 'xs' coxas! Vem aí a 'reforma' da Previdência, a 'reforma' do ensino médio, a venda do pré-sal (que já está acontecendo), a venda da Petrobrás, da Caixa, do Banco do Brasil, do que restou da Eletrobrás, do aquífero guarani, das terras brasilis entre outros pratos antropofágicos ao molho pardo que habitam o banquete do capital. E que o pobre, revivendo infelizes tempos de pobreza e ditadura 'civil', perceba finalmente a mais crua realidade: que o capitalismo não foi feito para nós, os pobres!

Renato Fialho Jr.